Coliseu
Foi assistindo um documentário sobre abusos e violência contra meninas adolescentes expostas na internet, que tive uma reflexão sobre a sociedade e sobre mim mesma.
Na grande parte das vezes, a vítima de crimes, agressão ou qualquer abuso (físico, moral ou psicológico) é culpabilizada por tal acontecimento... principalmente se ela é alvo de um grupo de várias pessoas com certas ideologias, seguimentos, crenças ou bandeiras. O abuso não é julgado por si só, ele é julgado de acordo com conceitos enraizados que a maioria carrega.
A vítima também é frequentemente invalidada pela quantidade de indivíduos participantes de um grupo... ou seja, a velha (e absurda) premissa de que "a maioria tem razão". Geralmente é dito por muitos que a vítima é quem provocou tais abusos ou vilipêndios... que foi ela quem permitiu... que foi ela quem pediu e mereceu...
Na internet, vejo diariamente muitos comentários atacando os alvos e defendendo os algozes... muitos justificando a violência, a vaidade, a mentira, o conflito, a destruição, como se o errado fosse sempre o sujeito vulnerável.
Mas, sim, temos que admitir que existe um erro fatal nas vítimas: a carência e a ingenuidade.
O meu maior erro na vida foi ignorar todos os sinais de má conduta e tolerar certos comportamentos dos outros, confiando sempre no "lado bom" deles. Mesmo massacrada pelas circunstâncias da vida, desde criança... mesmo entristecida e decepcionada muito cedo com tudo e todos, eu queria ser sempre complacente e acreditar só no bem das pessoas. E não dava uma ou duas chances... eu dava TODAS as chances possíveis a elas. Eu enxergava as falhas da maioria, mas as desprezava e varria para debaixo do tapete.
Até os meus trinta e poucos anos, eu evitava a todo custo qualquer tipo de discussão ou debate que confrontasse os outros. Ainda que eu estivesse certa e com razão, eu me anulava e baixava a cabeça para não desagradar. Ao mesmo tempo que eu era invisível socialmente, eu era útil por ser apenas um preenchimento de espaço.
Mas aí, veio o meu grande despertar espiritual e de Consciência... Uma dignidade e uma honra vieram à tona, coisa que eu nunca tive na vida. Parecia que o Ser em mim clamava por valor verdadeiro e justo... clamava por respeito e honestidade.
No entanto, eu entendia que aquele fenômeno era pra poucos, pois com aqueles que nada sabiam sobre despertar espiritual ou expansão da consciência eu não forçava a compreensão, não jogava na cara e nem impunha o meu caminho. Eu até, vez ou outra, tentava explicar o que me ocorria, mas quase não falava sobre o assunto, sabendo que não iriam compreender.
Sim, houve um distanciamento natural entre mim e várias pessoas por causa do despertar, porém também houve um distanciamento propositalmente feito na intenção de me isolar completamente dos outros e destruir minha reputação. Motivo: inveja, ciúmes, competição por visibilidade e vingança.
Foram justamente aqueles que se diziam amigos (ou foi aquela que se dizia amiga)... e que eu em nada desafiava, nada confrontava, nada discutia, nada contrariava que me apunhalaram (ou apunhalou) pelas costas, me fazendo de idiota, me difamando e zombando às escondidas. Justamente aqueles em que eu mais confiava eram os que mais me traíam e sentiam prazer em me destruir.
Voltando ao documentário das jovens violentadas e expostas na internet... mesmo eu não tendo sofrido violência sexual, me identifico com o que elas passaram por eu ter sofrido violência psicológica durante anos e anos (mais de uma década) por tal grupo. A consequência é sempre a mesma a todas as vítimas: isolamento social.
Eu me isolei naturalmente de início, falando ainda com algumas pessoas e selecionando melhor os meus contatos... mas, depois, me forçaram criminosamente a um isolamento total por assassinarem minha reputação e envolverem mais e mais pessoas que me dão "ghosting" o tempo todo... por simplesmente eu me tornar uma Truman de saias. A maioria das pessoas envolvidas com tal grupo me deixa no vácuo por medo, constrangimento, indiferença ou raiva. E assim tem sido minha vida... ghosting ou fingimento dos que se aproximam de forma orquestrada (umas até mal-intencionadas).
Assim como aconteceu com as meninas adolescentes do documentário, a maioria das pessoas em sociedade apoia, dá espaço, moral e razão aos algozes... enquanto que xingam, sentem ódio e desprezo pelas vítimas. Até hoje elas pagam pelo único erro que cometeram: o de confiar demais e "ver o lado bom da vida e das pessoas".
No meu caso, apenas pelo motivo de eu ter uma opinião diferente ou porque (de forma involuntária e dolorosa) me tornei protagonista em um palco com seus holofotes, muitos me hostilizaram por prazer, outros vibraram e aplaudiram como se estivessem em um coliseu.
A partir do momento em que comecei a compartilhar minhas visões, ideias e insights nas redes sociais, pessoas, incluindo as que eu mais confiava, começaram a me perseguir de modo velado, da forma mais trapaceira possível, e a me torturar e ridicularizar em "praça pública".
Com certeza, o pretexto que davam era que a culpada era eu, por ser "arrogante", não aceitar a opinião alheia ou não me juntar "à galera". Era sempre esse tipo de acusação indireta que espalhavam aos ventos. Mas, na maioria das vezes, meus debates com os outros não eram no nível de opiniões, mas, sim, no nível de moral, caráter e ética - ou seja, meus enfrentamentos não eram na horizontalidade de ideias, mas na verticalidade de virtudes e valores.
Eu, ao falar de forma contundente ou no rigor, era sempre quando algum sujeito se comportava de forma arrogante, desonesta, hipócrita, irresponsável, com ar de superioridade, tentando humilhar o outro. Minha batalha é 90% no campo da ética e das virtudes, tentando defender os humilhados. Mas, os algozes do grupo faziam uma interpretação distorcida de mim a todos, dizendo de forma difamatória que era eu que desprezava as pessoas.
No entanto, há uma grande lição nisso tudo... Eu acordei para os sinais de mau-caratismo e ego narcisista camuflado dos outros... aprendi a enxergar o grau de amoralidade e imoralidade na maioria... o grau de hipocrisia e oportunismo nos indivíduos. E ainda que as pessoas me joguem pedras e me julguem injustamente, eu sigo combatendo comentários sádicos, soberbos, maldosos, injustos, deturpados... Eu sigo defendendo (mesmo que não precisem de defesa) as vítimas ou os alvos dos agressores verbais.
A grande lição da maioria das vítimas de abusos e diversos tipos de violência, é a de ter dignidade e de não precisar agradar ninguém para ser aceito. Porém, aprendi e vi de fato que eu nunca fui aceita, mas, sim, tolerada e usada para preencher vazios.
Já tentaram me fazer sentir culpa pelo ocorrido, mas ao me conscientizar, entendi que aqueles que despertam para uma lucidez e uma ética apuradas serão sempre desprezados, caluniados e culpabilizados pelos abusos e perseguições. A desconexão social a eles é natural, mas não significa e nunca significou aversão ou superioridade... como os difamadores gostam de dizer. Os que despertam tal lucidez enxergam com muito mais detalhe e precisão o ego alheio, os delatando ao serem abusivos, contudo, tendo empatia e compaixão pelos mais simples e verdadeiros.
Além de sermos alvos de crimes, violências ou abusos, e vivermos o terror disso tudo, somos alvos de culpabilizações... somos cobrados o tempo inteiro para sermos fortes, resilientes, equilibrados... somos exigidos a perdoar pessoas cínicas, sádicas e perversas...
O mundo é injusto, as pessoas são injustas...
Eu escolhi não ser.



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